01/08/2012
CATENDE-PE
Segundo leilão da Usina Catende fracassa

Mais uma tentativa de venda da Usina Catende fracassou na tarde desta terça-feira (31). O segundo leilão onde os bens da massa falida seriam negociados não teve lances, assim com o primeiro, e a situação da usina continua indefinida. O valor mínimo pedido foi de R$ 65,5 milhões.
Na primeira tentativa de venda, o preço era R$ 100,7 milhões. Para animar os empresários, o juiz Sílvio Romero Beltrão Filho, responsável pelo caso, excluiu o chamado "valor da marca" (goodwill), o que gerou uma redução de R$ 35,2 milhões no preço. Se houver um terceiro leilão, um procedimento semelhante deverá ser tomado para se baixar ainda mais o valor da usina, possibilitando assim a venda.
Fazem parte do lote a propriedade rural (R$ 1,1 milhão), a área industrial (R$ 26,8 milhões), as máquinas e equipamentos (R$ 31,8 milhões), as instalações complementares (R$ 2,3 milhões), os veículos (R$ 1,8 milhão) e equipamentos agrícolas (R$ 1,6 milhão). Os valores foram determinados por consultorias especializadas.
O leiloeiro João Dias Martins foi designado para realizar o leilão, que aconteceu no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Ilha do Leite, no Recife. As condições de venda exigiam que o comprador fizesse o pagamento da comissão do leiloeiro (5% do valor total) e do sinal mínimo de 20% do valor ainda nesta terça-feira (31), tendo prazo de três dias para pagar o restante do valor.
De acordo com o síndico da massa falida da Catende, Carlos Fernandes, se o juiz aprovar um terceiro leilão, o valor da usina poderá chegar a R$ 40 milhões. “Todos os empresários sabem que o valor mais realista de mercado é esse e ninguém vai dar lances em um número maior”, explica. O prazo para a decisão de leiloar ou colocar o passivo para arrendamento é de 30 dias.
Porém, o juiz Sílvio Romero Beltrão admitiu a possibilidade de arrendamento das terras por prazo determinado (até cinco anos), quando seria feita nova tentativa de venda. "Vou definir os rumos deste processo na próxima quinta-feira (2), quando conversarei com o promotor do caso. As alternativas mais prováveis são o arrendamento ou um terceiro leilão, que deverá ser feito através de cartas-proposta", afirma Beltrão.
Para Arnaldo Liberato, presidente da Catende Harmonia, cooperativa que reúne os cerca de 4,5 mil trabalhadores do campo e da indústria Catende, o melhor caminho seria que a justiça desapropriasse as terras, doando-as para os agricultores em troca da dívida trabalhista de cerca de R$ 159 milhões que a usina tem. Desta forma, a cooperativa poderia buscar ajuda dos governos federal e estadual para reativar o local.
“Precisaríamos, claro, não só da desapropriação, mas também de um investimento mínimo de R$ 10 milhões para ressuscitar a usina. A partir daí, poderemos devolver o emprego aos trabalhadores e gerar renda na região, moendo até 1,2 milhão de sacas de açúcar e até seus derivados, que têm maior valor agregado.”